A Webzen precisa que o MU dê certo: o processo do DragonSword continua de pé e a receita é a menor desde 2017
Para quem joga MU, a saúde financeira da Webzen parece assunto de investidor. Não é. É o que decide quantas equipes ficam alocadas no Season 21, com que frequência o balanceamento das 16 classes avança e quanto de orçamento sobra para eventos globais. E, em 2026, o retrato da empresa fora do MU é desconfortável.
O caso DragonSword, em ordem
A briga começou com um contrato de publicação. Em 21 de abril de 2026, a Webzen anunciou que havia processado a desenvolvedora Hound13 depois que o estúdio comunicou planos de relançar o action RPG de mundo aberto DragonSword por conta própria na Steam, sob o nome DragonSword: Awakening — a publisher alegava que o estúdio não tinha direitos legítimos de publicação. Junto ao processo, a empresa pediu uma liminar no Tribunal Distrital Central de Seul para barrar a autopublicação, argumentando que um lançamento sem direitos válidos poderia gerar confusão e prejudicar usuários.
Não colou. Em 22 de julho de 2026, a 60ª divisão civil do mesmo tribunal rejeitou o pedido de liminar da Webzen. O desenvolvedor lançou o jogo na Steam em 23 de julho, já reformatado: saiu o modelo online com gacha, entrou o pacote de compra única — com mais de 450 mil desejos acumulados na plataforma.
Por que isso ainda importa em setembro
Porque não acabou. O processo principal sobre os direitos de publicação segue em andamento, e a Webzen anunciou que pretende recorrer da decisão da liminar. Além disso, as duas empresas estão amarradas: a publisher detém 25,64% do capital da Hound13, que por sua vez acumula prejuízos na casa dos 67,1 bilhões de wons.
Some a isso o pano de fundo: em 2025, a receita da Webzen foi de 174 bilhões de wons — o menor número desde 2017.
O que sobra: o MU
Enquanto a diversificação tropeça no tribunal, a franquia MU segue sendo a linha de frente comercial e de produto da empresa. É o MU Online que recebe atualizações encadeadas do Season 21-1, é o MU que sustenta os lançamentos mobile e idle da casa, e é o MU que aparece nos comunicados globais mês após mês.
Há movimento em outras frentes, mas em estágio de vitrine: a companhia levou o projeto de subcultura Tervis à Comiket, em Tóquio, em agosto — a quinta participação consecutiva do título no evento japonês. É pipeline, não receita.
O que observar daqui para frente
- A decisão do processo principal. É ela, e não a liminar, que define de quem é o direito de publicar DragonSword.
- O ritmo de entregas do MU Online. Empresa apertada corta o que não converte; o MU é justamente o que converte.
- O calendário de fim de ano. Historicamente, é quando a Webzen mostra o que planeja para o ano seguinte — e o peso do MU nesse anúncio será o termômetro mais honesto da estratégia.
A leitura fria
Nada disso significa risco imediato para quem joga. Significa outra coisa, mais sutil: por enquanto, a franquia que você joga não é uma entre várias no portfólio da Webzen — ela é o portfólio. Isso costuma ser bom para o volume de atualizações e ruim para a paciência com experimentos. Vale lembrar disso na próxima vez que um evento parecer agressivo demais na monetização.